Museu dos Rios e das Artes Marítimas

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Constância, antiga Punhete, teve durante séculos um importante porto que lhe permitiu desenvolver-se economicamente, através do transporte fluvial, da construção naval e da pesca.

Estas atividades fluviais, que se exerceram até meados do séc. XX, deixaram muitos vestígios dispersos pela vila e em risco de se perderem, cabendo ao Museu dos Rios e das Artes Marítimas recolher, estudar, valorizar e divulgar este vasto património cultural.

Edifício

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Criado a 11 de abril de 1998, o Museu dos Rios e das Artes Marítimas tem um acervo constituído, principalmente, por peças de etnografia fluvial, com especial relevo para os instrumentos de trabalho e miniaturas de embarcações tradicionais.

Para acolher este espólio procedeu-se à reabilitação de um edifício antigo, pertença da autarquia, que reunia as caraterísticas para a criação de um espaço museológico para preservar o património fluvial.

Este edifício está implantado num jardim muito agradável onde estão expostas algumas peças dos barcos que faziam o transporte de mercadorias no rio Tejo, como fateixas, ancorotes, guinchos, etc.

Já dentro do museu o percurso é iniciado com uma breve introdução histórica ao passado da vila e às antigas atividades que a fizeram prosperar, recorrendo-se a fotografias antigas para o ilustrar. Depois segue-se para um espaço dedicado à pesca, onde estão expostos alguns objetos alusivos a esta atividade, realçando-se a exposição de redes de pesca e as miniaturas de barcos regionais. A mesma sala ainda é dedicada ao transporte fluvial, a mais importante atividade das gentes de Constância, ganhando relevo as miniaturas do varino, do barco de água acima e do desalijo, além de uma grande variedade de objetos utilizados nesta atividade. A seguir atinge-se uma pequena área dedicada à Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem, demonstrando-se a sua antiguidade e importância através de documentação escrita e fotográfica. Por último surge uma sala que pretende reconstituir um estaleiro de calafate, onde estão expostos um barco em fase de construção e uma grande variedade de ferramentas e de utensílios utilizados neste trabalho.

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Planta do Museu dos Rios

Localização

Constância é sede de um município com 87 km2 de área e cerca de 4056 habitantes, sendo dividido em três freguesias: Montalvo, Santa Margarida da Coutada e Constância.

O município é limitado a norte, leste e sul pelo município de Abrantes, e a oeste pelos municípios de Vila Nova da Barquinha e da Chamusca.

Constância é uma pequena vila com cerca de 900 habitantes, situada na confluência de dois dos principais rios portugueses: o Tejo e o Zêzere. Nasceu e organizou-se em função deles, cresceu pela colina e, durante séculos, quando o transporte de mercadorias se fazia por via fluvial, toda a gente na vila, direta ou indiretamente, vivia dos rios e das atividades a eles ligados.

Missão e objetivos

O Museu dos Rios e das Artes Marítimas tem a missão específica de pesquisar, selecionar, processar e tornar acessíveis as fontes e recursos de informação e o desenvolvimento de projetos de investigação, de difusão e de educação.

Assim, o Museu dos Rios e das Artes Marítimas pretende ser

"...uma instituição permanente, sem objetivos lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público e que produz investigação sobre os testemunhos materiais do Homem e do seu ambiente que, uma vez adquiridos, são conservados, divulgados e expostos, para fins de estudo, de educação e de deleite."

ICOM Statues, 5 de setembro de 1989, art. 2.º

A sua missão assenta nos seguintes objetivos:

  • garantir a salvaguarda e divulgação das coleções à sua guarda, tendo em vista a melhoria contínua da oferta e captação e fidelização de públicos;
  • promover e apoiar a investigação e a produção de conhecimento sobre as coleções do Museu;
  • promover boas práticas e procedimentos museológicos, contribuir para a sua divulgação junto de entidades terceiras e para a afirmação do museu, como agente de desenvolvimento cultural e social da comunidade em que se insere;
  • estabelecer, através de parcerias e relações institucionais com os agentes socio-económicos, um desenvolvimento sustentado e a captação de novas fontes de financiamento.

Funcionamento

HORÁRIO

De terça a sexta-feira, das 14h00 às 17h30, e fins de semana intercalados.

(Em caso de encerramento contatar: 249 730 052 ou 925 669 875)

PREÇÁRIO

a) Entrada individual, cada indivíduo | 1.00 €
b) Entrada acompanhada com guia, cada indivíduo com um máximo de 20 pessoas | 0.50 €

Exposições

O que é uma exposição?

É o principal veículo de comunicação dos museus com a sociedade, a atividade que carateriza e legitima o museu como tal. Sem as exposições, os museus poderiam ser coleções de estudo, centros de documentação, arquivos; poderiam ser também eficientes reservas técnicas, centros de pesquisa ou laboratórios de conservação; ser, ainda, centros educativos cheios de recursos – mas não um museu.

Tereza Scheiner

SALA DA PESCA

Os rios Tejo e Zêzere sempre foram abundantes em peixe, como a fataça, o muge, a enguia, a saboga, o sável, a lampreia, sendo a pesca uma atividade de que viviam muitas famílias de Constância e arredores. Os pescadores trabalhavam durante todo o ano com diferentes tipos de redes, como o tresmalho, a varina, a savara, a sabogar, a nassa, o camaroeiro, a tarrafa, consoante o tipo de peixe mais abundante na época. Mas o período mais esperado era a primavera, período da desova da saboga, da lampreia e principalmente do sável. Este último era muito apreciado, sendo pescado em grandes quantidades pelos pescadores locais e por pescadores do litoral, como os avieiros e os varinos que se deslocavam ao Tejo para este tipo de pesca. As embarcações caraterísticas dos pescadores na zona de Constância eram a lancha, o abringel e o catrafuso e nelas trabalhavam tanto de noite como de dia e em qualquer condição atmosférica, lançando e colhendo as redes. E se para baixo iam ao sabor da corrente, para cima recorriam às velas. Caso não existisse vento, utilizavam os remos e a vara. Com a construção das barragens e o aumento da poluição das águas dos rios, muitos peixes quase desapareceram, mas atualmente ainda são as embarcações dos pescadores as poucas que se podem ver a navegar no Tejo.

SALA DO TRANSPORTE FLUVIAL

O rio Tejo foi até, meados do Século XX, uma grande via de comunicação e comércio, possibilitando à navegação um rápido escoamento das mercadorias que afluíam às povoações ribeirinhas vindas do interior (Beiras e Alentejo) por via terrestre e fluvial. Eram mercadorias essencialmente agrícolas, como a palha, a cortiça, a madeira, os cereais, o vinho, o azeite, a fruta, o carvão, funcionando tanto o Rossio de Abrantes, como Constância, Tancos, Chamusca, Santarém, etc. como importantes entrepostos comerciais dos produtos que se destinavam a abastecer Lisboa. Desta cidade, com destino ao interior, seguiam rio acima produtos para tratamento das culturas (sulfato, amónio e outros adubos), combustível, produtos alimentares e principalmente o sal. O varino era o barco utilizado nestes transportes, devido ao seu fundo chato que lhe permitia navegar em pouca água. Mas o progressivo assoreamento do rio Tejo tornava impossível esta atividade, principalmente no verão, levando muitos marítimos neste período, a trabalhar na zona de Lisboa, onde a falta de água nunca se fazia sentir, retomando a atividade, a montante, só no inverno. O assoreamento do Tejo e o aparecimento e concorrência dos meios ferroviário e rodoviário no transporte de mercadorias levaram à extinção do transporte fluvial por meados do século passado.

FESTA DA NOSSA SENHORA DA BOA VIAGEM

Nas povoações ribeirinhas, a atividade que envolvia maiores perigos era o transporte de mercadorias no rio Tejo. Os marítimos, designação pela qual eram conhecidos estes homens, trabalhavam em qualquer condição atmosférica e de navegabilidade, pondo muitas vezes a sua vida em perigo, assim como a subsistência das suas famílias. Por isso, a vila de Constância, terra de marítimos, desde há séculos, tem como protetora Nossa Senhora da Boa Viagem, amparo de todos aqueles que tiram o seu sustento do rio, principalmente dos marítimos. Esta classe, como agradecimento da proteção concedida, organizava e custeava anualmente, no período da Páscoa, uma grande festa dedicada a Nossa Senhora da Boa Viagem. Entre outros festejos, saía na segunda-feira uma procissão, em que os marítimos levavam o andor da Virgem e percorriam com ele as ruas da vila em direção às margens do Zêzere e do Tejo, onde as embarcações engalanadas esperavam para serem abençoadas.

Atualmente o transporte fluvial já não se faz, mas a Festa continua a realizar-se, abençoando-se pequenas embarcações e um cada vez maior número de automóveis. Porque as estradas substituíram os rios e os perigos são outros mas subsistem, não faltam os viajantes que pedem a proteção maternal da Virgem.

CONSTRUÇÃO NAVAL

O desenvolvimento da navegação fluvial no rio Tejo levou à construção de embarcações bastante variadas, conforme a função e o estilo próprio de cada estaleiro e povoação. Deste modo, em Constância construíram-se várias embarcações, como o varino, o desalijo, a barca de passagem, o batelão, a bateira, a lancha, a lancha-praieira, o abringel e o catrafuso, sendo a técnica de construção naval transmitida de geração em geração, geralmente de pais para filhos. Os estaleiros navais eram erguidos a céu aberto nas praias abrigadas dos rios Tejo e Zêzere, onde se fazia a construção e a reparação navais, geralmente nos meses do verão, ocupando neste período muitos calafates. Com o desenho do barco em papel ou de cabeça, os calafates (designação dada nas pequenas localidades ribeirinhas aos construtores navais) iam ao pinhal escolher as árvores e os troncos mais adequados, sendo o pinho manso a madeira mais utilizada nas cavernas e vaus, enquanto o pinho bravo era utilizado nas forras e pavimento. O eucalipto era empregue nos mastros e vergas e o freixo nos remos, palamenta e cana do leme. No estaleiro estas árvores eram limpas e serradas em tábuas e ao mesmo tempo faziam-se as peças curvas como o cadaste, as balizas e a roda de leme. Após isto, a quilha, vaus, forros exteriores e convés, iniciava-se a construção da ossada e procedia-se ao revestimento do casco. Depois calafetava-se o barco, colocava-se o breu e estava pronto a ir para a água. Com a embarcação já no rio, colocavam-se as velas, o mastro, os cabos, etc. Com a decadência do transporte fluvial, também a construção naval e os calafates foram lentamente acabando.

Serviços

SERVIÇOS EDUCATIVOS

O Serviço Educativo pretende estabelecer uma relação com o público escolar, através das seguintes atribuições essenciais:

  • promover a ação cultural do museu e gerir a comunicação com os públicos e os utilizadores, centrando-se no seu espaço museológico, assim como noutros recursos patrimoniais do concelho;
  • interpretar e difundir o património cultural e paisagístico do concelho e o acervo do museu;
  • desenvolver programas no âmbito da educação patrimonial, com atividades destinadas ao público escolar dos vários níveis curriculares, grupos organizados e visitantes autónomos.

CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO

O Centro de Documentação constitui um serviço público do Museu dos Rios e das Artes Marítimas que tem a missão de tornar acessíveis as fontes e recursos de informação especializada necessária à gestão e documentação do acervo museológico e ao desenvolvimento de projetos de investigação, de difusão e de educação.

O Centro de Documentação é um dos instrumentos fundamentais para o cumprimento da missão de investigação, conservação, interpretação e difusão do património, contribuindo para a transmissão e construção das memórias coletivas e das identidades locais.

Atividades

O museu tem o importante dever de desenvolver o seu papel educativo e de chamar a si um público cada vez mais numeroso, de todos os setores da comunidade, localidade ou grupo em que está inserido.

Deve facultar ao público oportunidades para se envolver e apoiar os seus objetivos e atividades. A interação com a comunidade que compõe o seu público é parte integrante da missão educativa do museu.

DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS

O dia 18 de maio é uma data comemorada no concelho, especialmente junto da comunidade escolar, com o objetivo de sensibilizar crianças e jovens para a importância de preservar e divulgar o património cultural.

Dada a importância dos valores que se pretende transmitir a esta geração mais jovem, elabora-se um conjunto de atividades que abordem o tema de uma forma educativa e pedagógica.

JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO

As Jornadas Europeias do Património são uma iniciativa anual do Conselho da Europa e da União Europeia que visa a divulgação do património histórico-cultural das diversas comunidades europeias, numa perspetiva de sensibilização das populações para a sua identidade, memória coletiva e património comum.

Publicações

O Museu dos Rios e das Artes Marítimas tem ao dispor no balcão de vendas as seguintes obras:

Publicações:

 

Coleções de Postais:

 

Memórias dos rios

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A documentação fotográfica da primeira metade do século XX aborda a temática fluvial, em que os rios eram as grandes vias de comunicação e comércio.

Nas suas margens a vila de Constância foi crescendo, através das atividades relacionadas com os rios, como a pesca, a construção naval e o transporte fluvial.

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O Museu em fotos

Até meados do século XX as populações viviam dos rios, para os rios e junto aos rios. Com o seu assoreamento e o desenvolvimento dos meios de transporte terrestres, a população virou-lhes as costas em busca de outro sustento. Mas no início do século XXI olha novamente para os seus rios, que entretanto adquiriram novas potencialidades, como a prática do desporto, o desenvolvimento do turismo e o lazer.

O Museu dos Rios e das Artes Marítimas pretende relembrar a importância económica e a profunda ligação que as gentes de Constância tinham e têm aos rios Tejo e Zêzere.

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